Killing me softly with his song

Ainda na sintonia musical…
Dezembro é um mês bem especial, diferente mesmo dos demais. Tenho muitas lembranças de quando eu era adolescente e (não, não ficava esperando pelo bom velinho…) convivia com minhas primas mais velhas. Elas já tinham namorado, beijado muuuito na boca e sonhado com o cara que ia fazer a diferença na vida delas… eu ficava só olhando o cenário, e não conseguia me ver daquele jeito. Não mesmo, pensava em outras coisas naquela época, mas, ficava por ali… Naqueles dias, no fervilhante subúrbio carioca, o termo era pissar. É: pissar. “- Aí! aquele cara tá afim de pissar com você!…”, “- Gente! rolou maior pisso ontem!…” e eu ouvia tudo, fazendo de conta que tava entendendo. Quem não tinha pissado tava por fora! Ai, ai…
Mas, tudo isso tinha fundo musical! É… não se falava dessas coisas sem colocar uma fita k7 no gravador e curtir um som… Teve um ano que Killing me softly… bombardeou os ouvidos acostumados com o baticum das baterias e não tinha quem não gostasse – pelo menos, eu não conheci ninguém que reclamasse… e, é claro, quando alguém ficava doidinha pelo cara com quem tinha pissado, tinha que ouvir a tal música! Nossa, era trilha sonora mesmo! E não é que eu gostei da música? Era tempo dos bailinhos… alguns clubes já rolavam funk, mas era Furacão 2000, nada de ficar atoladinha, que isso?! No dia do baile, se as garotas conseguissem ficar com o cara que tinha sido um bom pisso, na hora de Killing me softly… era o céu na terra! Eu ficava ouvindo o relato das emoções e não entendia como que isso acontecia, mas, gostava da música.
Dezembro: mês das mais mais nas paradas de sucesso! Em qualquer estação de rádio, qualquer programa global, essa era uma das mais pedidas do ano! Por isso dezembro acumula memórias… eu, em casa, ajudando minha mãe nos preparativos natalinos, ouvia a música e ria sozinha das histórias das minhas primas…

Hoje me peguei cantarolando o refrão e pela primeira vez me interessei em ler a letra. Sério. O ouvido de acostuma com a melodia e a letra passa como se fosse parte dos acordes, até que um dia você pensa: mas, o que é que eles tão cantando mesmo? Fui na letra e fiquei de cara! Não satisfeita, li algo mais sobre a história da música. Interessante…
A letra fala de uma pessoa que foi ouvir um jovem tocar um violão, meio que sem compromisso e ficou chocada em ver como que as músicas tinham identidade com o autor desta letra, como que o jovem ao passar os dedos pelas cordas do violão desnudava a vida do autor para a platéia. (meio isso, tá?) Caráca, quantas vezes já me senti assim! Quantas vezes, ao ouvir um jovem tocar eu fiquei arrasada e pensei: comoassim? Como que ele sabe disso? Como que canta isso agora??? E como que eu morro doce e lentamente nas minhas memórias, laçadas pelas cordas de um violão…

Killing me softly with his song de Charles Fox e Norman Gimbel

Strumming my pain with his fingers
Singing my life with his words
Killing me softly with his song
Killing me softly with his song
Telling my whole life with his words
Killing me softly, with his song

I heard he sang a good song, I heard he had a style
And so I came to see him, and listen for a while
And there he was, this young boy, a stranger to my eyes

I felt all flushed with fever, embarrassed by the crowd
I felt he found my letters, and read each one out loud
I prayed that he would finish, but he just kept right on

He sang as if he knew me, and all my dark despair
and then he looked right through me as if I wasn’t there
And he just keep on singing, singing clear and strong

Sabe o que é o melhor disso tudo? Sempre haverá um jovem e um violão…

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