
Dia desses eu postei uma música no Facebook, antiiigaaa… mas com um significado grande pra uma geração, que eu faço parte.
Quando fiz esta foto eu lembrei da música e ela tinha semelhança com o sentimento daquela hora, até um certo ponto. Explico: fiz esta foto da janela do quarto onde fiquei durante o 6º RPJ – Retiro da Pastoral Jovem – e foi na manhã de domingo… normalmente seria a hora da Fernanda chegar com o Dedé… eles costumavam ir para a missa e o almoço e desta vez foi diferente.
Minha filha não estava lá… tinha ido para um passeio com a turma do colégio… e eu fiquei tristinha por não ter ela naquele momento comigo, mas logo passou. Fico muito mais feliz em saber que a minha menina começa a entender que pode se virar sem mim.
Minha mãe sempre esperou por este momento, mais do que eu esperei. A hora em que eu finalmente iria passar pelo que ela passou. Ela acreditava que eu ia ficar sofrida, com ela ficou. Quando eu tinha 7 anos fui acampar com as bandeirantes – na época eu era fadinha – durante um final de semana e ao voltar foi como se estivesse ido alí e voltado já. Não demonstrei nenhuma saudade contida, nada de correr pros braços de meus pais ou de chorar, ou nada! Eu cheguei e ponto. Não tive saudade no pouco tempo que estive fora, na verdade foi pouco tempo para ver tudo o que tinha pra ver! Ficar sentada num cantinho com saudade… hum, acho que eu não ia querer não… Minha mãe ficou bem chocada e lembra isso com frequência… esperou anos, longos anos para que eu passasse por isso… e acho que vai ter que esperar mais um tanto…
Paisagem da Janela – Canção de Lô Borges e Milton Nascimento ‧ 1972
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal
Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou
Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
E eu apenas era
Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical
Cavaleiro marginal banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Quando olhava da janela lateral
Do quarto de dormir
Você não quer acreditar
Mas isso tão normal
Você não quer acreditar
Mas isso tão normal
Um cavaleiro marginal
Banhado em ribeirão
Você não quer acreditar
Hoje, 03.11.25, volto neste post com uma tristeza… Lô Borges faleceu… Descanse em paz.
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