Esse seu olhar…

As vezes eu queria ter mais tempo. Só as vezes. Pra poder escrever mais! Tem hora que minha cabeça ferve de tanta vontade de escrever! Vejo coisas, ouço frases que me piram inspiram, e cadê tempo e condição pra escrever? Aff… Hoje li um artigo sobre quantidade de megapixels numa câmera e ao mesmo tempo que lia, as palavras se travestiam e pareciam me dizer outra coisa. Foi até engraçado… antes de terminar de ler o artigo, comecei a escrever sobre isso, essa situação de querer compartilhar o que penso! Desde a hora que comecei, até agora, já se passaram mais de duas horas. É, falta tempo! Não, eu ainda não terminei de ler o artigo…

Queria ter tempo. Tempo pra falar do tempo que eu tinha pra olhar esse morro. A Serra do Grajaú.  Quando era adolescente, morei no Cachambi, entre o Méier e Maria da Graça, no subúrbio carioca. Assim que entramos no apartamento, ainda em construção, demos de cara com esse morro… lindo!… que nos acompanhou por muitos anos. Testemunhou fielmente a minha passagem da adolescência para a idade adulta. Durante muito tempo a mesa de refeição ficava em um ponto onde todos podiam olhar o morro. Logo nos primeiros dias de casa nova, percebemos uma imagem, que lembrava uma artista… Sim! Elba Ramalho! Mas a Elba do início de carreira, com aquela cabeleira farta, solta, esvoaçante! Essa era a nossa interpretação! A nossa Elba! Ela nos dizia quando ia chover, quando ia fazer frio e nos pedia socorro quando ardia com o fogo provocado quase sempre por belos e traiçoeiros balões… Passam os anos e Elba está lá, esperando a nossa visita, o nosso tempo de observação e contemplação da natureza e seus detalhes… Nós mudamos do Cachambi e trouxemos a Elba no coração, afinal, muito do tempo que passamos ali foi testemunhado por ela!

Algum tempo depois que mudamos para o apartamento, meu tio Décio muda com a família para um apartamento dois andares acima do nosso e sem combinar, começa a compartilhar o tempo com a Elba, a nossa Elba. Passam outros anos e vou passar férias na casa dele, que todo orgulhoso vem me contar que vê uma imagem linda a sua frente: a Serra do Grajaú! Eu, pensei com meus botões, “- tá, mas a Elba é minha!”. Ele, todo empolgado começa a falar que todos os dias “recebe a visita da virgem!” Visita da virgem, como assim? Desde quando Elba lembra a virgem? Só se fosse num auto de Susssuna! eu hein… E meu tio insiste: “- sim! A virgem tá ali! Você não vê???”. “Tsc, vejo… vejo a silhueta de uma mulher, do rosto de uma mulher, com o braço na frente e os cabelos nos ombros!” e minha tia sábiamente nos retira desse vê-não vê… mas eu fiquei com aquilo na cabeça.

Olho para o morro e resolvo fazer uma série de fotos só da Elba: em dia de sol, de chuva, de nuvens baixas, amanhecendo, anoitecendo. Tudo pra nunca mais ficar longe dela, sem poder “perder tempo” de admirar a natureza, me resta registar… e eis que a virgem salta aos olhos! O tempo do meu tio foi outro! Ele teve tempo de olhar no detalhe… teve mais tempo que eu…

O link do artigo que ainda ou terminar de ler: http://fotocolagem.blogspot.com.br/2012/03/mitos-e-verdades-sobre-megapixels-o-que.html.

Em tempo: o que o artigo me sugeriu não foi nada do que escrevi. Espero ter tempo pra escrever. Mais! Mais tempo! Escrever mais!

Deixe um comentário