A pergunta de hoje que não quer calar: “qual o professor marcou mais a sua vida?”
Essa pergunta me deixou inquieta… Aliás, a data me deixa inquieta: quando eu estudava, a comemoração era pelo dia do mestre e de uns tempos pra cá passou a ser pelo dia do professor. Faz diferença? Pra mim faz! Mas isso me inquietou menos do que tentar lembrar QUAL me marcou mais!
A primeira sensação que me veio foi de injustiça, como escolher o que mais marcou se vários marcaram, cada um em um momento e nem sempre de maneira positiva? Me lembro de uma professora no primário – em Brasília, Tia Lúcia, que me marcou pela sua simpatia e receptividade. Ela tornava a escola um lugar menos árido. Mais ou menos na mesma época teve a Tia Gessy, professora de educação física. Grossa como não sei o que! Era um sofrimento ir pras aulas dela, pois eu não era ágil e nem esperta o suficiente para ser um a atleta mirim. Ai tinha que ouvir cada uma…
Depois, no 1º Grau, tive um professor de matemática muito, mas muito bacana: Luis Carlos dos Santos Baia (se me lembrei direito…)! Nessa época já estava no Rio. Morava no subúrbio e no 2º semestre da 8ª série, ia e voltava de trem. Me esforçava pra pegar o trem, depois da aula, com ele. Hoje eu penso no coitado tentando descansar nos poucos minutos de sacolejo e uma pentelha adolescente querendo tirar dúvidas e bater papo. Mas o cara era o máximo! Como que eu ia perder esses minutos com ele???
Ai veio o 2º Grau… Isso ainda vai render um post específico… Em alguns momentos foi muito comédia, mas no geral, acho que tiraram fácil o dinheiro do meu pai… Mas teve uma professora que fez MUITA diferença: Celeste. Ela era obesa gordinha mas não tava nem ai… eu olhava pra ela e imaginava a Nana Caymmi. Ela tinha a voz um pouco grave e era professora de literatura, aliás, era uma das poucas que se salvava naquele faz-de-conta-que-eu-te-ensino-e-você-faz-de-conta-que-aprende. A turma do “Científico” tinha dois professores que eu queria ter aula com eles: Julio. Professor de história. Ao longo do tempo passou a ser conhecido como Julio Bonecão, ou Julio do Salgueiro. O outro era o Jorjão, de Geografia. No início dos anos 1980 os caras já faziam musicas pra galera fixar a matéria… Uma loucura!
Por causa da minha “formação” – curso Normal, e por inspiração em alguns bons exemplos, fui dar aula! Simples assim: sou professora! E cai no mercado com o que me “ensinaram”. Tolinha… Ali sim eu compreendi que não estava preparada para ser Mestre de ninguém! No auge dos meus 16 anos, achando que podia, entrava de manhã numa sala de aula na Baixada Fluminense, com alunos de 4ª série da minha idade e no turno da tarde encarava crianças do Jardim no Alto da Gávea onde os alunos tinham chofer e muito mais…
Pirei! Não dei conta! Não conseguia entender tamanha disparidade de realidade! Desisti da profissão, pra alegria de milhares de futuras crianças que passariam pelas minhas mãos e provavelmente teriam as piores lembranças das salas de aula: eu não tinha definitivamente o fundamental que é o dom!
Nos anos seguintes, alguns professores continuaram a fazer parte dos dois times. Mas acho que vou deixar pra contar depois…
Por hora, quero deixar um abraço pra todos os mestres, professores, instrutores e assemelhados. Pessoas importantíssimas para as nossas formações e que merecem um reconhecimento não apenas uma vez por ano, mas um reconhecimento pecuniário a altura de sua importância! Ainda espero o dia que os professores não precisem fazer greve pra ter direito a uma remuneração não só digna, mas que tente pagar o valor que eles tem!
Ah! Esse cantinho de estudo não é meu…
