Era uma vez… Um casal de passarinhos, que estavam só na casa de uma vizinha de uma tia liiinda…
Este casal estava só, já tinha um tempinho, pois a dona deles tinha viajado e pediu para alguém tomar conta e esse alguém pode até ter feito isso, mas parece que não foi o suficiente.
Ai, o Dedé, aquele que as vezes parece São Francisco, começou a prestar atenção ao canto do casal de passarinhos e chegou a conclusão: “O casal precisava ter a gaiola limpa e eles estavam com fome!”
Como assim?… Sem ver, deu pra perceber? Sim! Pelo som dos bichinhos, o Dedé percebeu que ele pediam socorro! Na mesma hora, Dedé pediu a chave da casa para ir ver o que estava acontecendo! Ao chegar lá, verificou o que suspeitava, o casal estava sem comida, sem água e ao redor de um bocado de sujeira. Dedé, com seu coração franciscano, resolve que os bichinhos não podem mais continuar dessa maneira, pois não se sabia quando a dona deles ia voltar para casa. Ficou com o coração partido, pois não tinha o direito de levar o lindo casal, sem que a dona deles autorizasse… Mas, conseguimos manter contato com ela que achou a ideia bem bacana, pelo menos eles estariam bem cuidados! E assim, o casal passou a morar em nossa casa. Mas, era mesmo um casal? Sim! Dede se certificou e eles foram batizados como Fredy e Wilma. Isso deve ter sido por volta de 1998… Nessa época nós morávamos no Gama, em um apartamento pequeno, mas eles ficavam em uma janela onde podiam curtir os colegas livres, que ajudavam a fazer a cantoria…
Fredy e Wilma eram grandes parceiros. A gaiola deles era modesta, mas eles sabiam se comportar. Se, por acaso, dessem um trinado de noite, por causa de luz acesa, era só falar: agora não é hora! E eles fechavam o bico. Sem estresse. Mudamos para a Asa Norte com eles. A essa altura, a dona deles já tinha voltado e nos passado a guarda do lindo casal. No apartamento, percebemos que Wilma estava diferente… depois de um tempo, veio a novidade: filhotes! Sim! Nasceram filhotes, mais bonitos que os pais! Tinha uma fêmea com as penas de um lilás azulado e essa passou a se Liz Taylor. Ela era esperta… Um dia, ao chegar em casa na hora do almoço, encontro com ela no banheiro, em frente ao espelho… Como assim??? Isso mesmo! Ela conseguiu sair da gaiola. Dedé levou ela de volta e ficou encabulado: como ela saiu dali?… Depois de uns dias, ela saiu de novo, alcançou uma janela aberta e foi para o mundo… só fiquei triste por que nunca fiz uma foto dela… Ela nem sabe, mas teve muitos irmãos e todos educados e obedientes como os pais. Apesar do cuidado com eles, ser responsabilidade do Dedé, eu curtia muito! Conversava com eles e eles prestavam atenção, verdadeiros parceiros… Certa vez, tivemos uma experiência sensacional: comprei um CD “Elvys for babies”, fui fazer um trabalho na área onde eles estavam e resolvi ouvir o cd. No início, eles cantaram pra caramba! Uma sinfonia! A partir da segunda música, o som foi diminuindo, diminuindo, até parar. Quando olho para a gaiola, eles estavam dormindo!…
Um belo dia, precisamos mudar e fomos morar numa casa. Eles lucraram, pois ganharam um viveiro, ao invés de uma gaiola! Na casa, tem jardim de inverno e esse foi o novo endereço dos bichinhos. Da minha cama eu podia ver a gaiola… e a família crescia… alguns filhotes foram morar com amigos, Fredy e Wilma faleceram, mas a vida seguiu… Mas, em 2010 eu comecei a ficar cansada, sem ar, esquisita… depois de uns exames, biópsia e tals, veio o diagnóstico: Pneumonia de Hipersensibilidade Crônica provocada por: PENAS. pqp… Como assim Doutor, penas?! É. Penas. Nunca mais na sua vida você vai poder conviver com penas. =/
Assim, essa linda convivência com os periquitos australianos se encerrou. A família de periquitos foi levada ao viveiro da escola da Fernanda, na época, Santa Dorotéia. Não foi fácil pra ninguém, pois eram muitos anos de convivência, mas não tínhamos opção, a doença evoluía rapidamente. Ainda bem que ficou essa imagem, que fez parte da exposição FotoVersículos que tinha a seguinte legenda: “A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade.” Romanos 1,18
A exposição FotoVersículos foi montada no contexto das comemorações do Ano Paulino. Inicialmente, fez parte da II ExpoBíblia, organizada em setembro de 2008 pela Pastoral Jovem da Paróquia Nossa Senhora da Esperança, Asa Norte, Brasília. As fotos foram selecionadas e algumas especialmente produzidas à luz da atualidade das cartas paulinas, que ainda nos levam à reflexão sobre nossos atos.
Mônica Eva – Fotógrafa