O ar que eu respiro!

Microfone

Dia desses eu falei por alto da Pneumonia de Hipersensibilidade Crônica, quando falei de Fredy e Wilma. Hoje vou falar um pouco dessa fase, do tratamento.

Eu nunca fui atleta, nunca pratiquei esporte com regularidade, constância… Já nadei muito, mas não encarava como prática competitiva e sim como lazer. Fazia os exercícios propostos, mas sem aquela tensão de acabar logo, ao contrário: curtia cada movimento, cada braçada, cada deslizamento, bem lentamente. Passou disso, não pratiquei mais nada. Nem caminhada. Então, fôlego pra mim só era importante quando eu nadava! E olha que as últimas braçadas foram por volta de 2003… Fora isso, a respiração só fazia falta em um esforço maior, tipo, subir vários lances de escada! Ou seja, vida normal, beeem sedentária. Nessa época eu trabalhava como uma louca! No início de 2004 dei uma parada na marra: cirurgia de emergência pra tira a vesícula. Foi um tempo onde o trabalho era mais importante do que a vida. Graças a Deus isso mudou. Meio que na marra mas mudou. Bom, do meio de 2004 pra cá, diminui esse ritmo de trabalho e comecei a me envolver com o serviço para Deus que é infinitamente melhor!

No final de 2009, manipulei umas penas para um adereço que seria usado na peça de Natal da igreja: o abanador do faraó! Na hora que eu abri o pacote, senti uma coisa desagradável, mas não liguei. Deixei as penas espalhadas na garagem, onde corre uma boa ventilação. Fiz o que tinha que fazer, apresentamos a peça e vieram as férias. Fomos passar uns dias com minha sogra em Teófilo Otoni, MG. E férias pra mim, na casa da sogra, é pra descansar, pra dormir! E dormi… pra caramba! Descansei até! Eis que chega a hora de voltar pra casa.

Início de 2010, caminhando nos corredores da Casa, encontro a médica que me acompanhava e ela me olhou assustada: “- você tá bem?”. Eu estranhei, mas disse que sim e ela insistiu: “- tem certeza?”. Aí, parei pra pensar e refleti: “- é… ando meio cansada… mas acabei de voltar de férias! E dormi até!”. E ela foi implacável: me pediu um check up urgente! Tá bom… fazer o quê! Lá fui eu… de cara, um raio X básico. Próximo exame: esteira ergométrica. Só que mal comecei e o pessoal do raio X me mandou voltar. Eu hein… Voltei e começou a perguntação sobre pneumonias curadas, tuberculoses tratadas. Opa! Alto lá! Nem uma coisa nem outra! O jeito foi continuar investigando e como quem procura acha, tava lá umas cicatrizes no pulmão. Parti para o tratamento, já que era possível tratar. Foram 6 meses de corticoide e algumas sequelas consequências. De uma hora pra outra (em 20 dias) aumentei 13 kg e perdi um guarda-roupa. Ganhei pelos no rosto e a mialgia sambou nas minhas carnes. Comecei 2010 de um jeito e terminei de outro: era uma nova mulher! Em janeiro de 2011 o médico encerra o tratamento e ai é hora de tentar voltar a uns parâmetros anteriores. Graças a Deus, foi um período onde pude me aproximar mais ainda das coisas Dele! Deus foi tão bom comigo que colocou um pneumologista no meu caminho, excelente: Dr. Marcelo Palmeira. Pensem num médico gente boa, tranquilão e músico… Na primeira consulta ele suspeitou o que poderia estar acontecendo, mas só com a biópsia ele iniciou o tratamento e: pimba! Acertou na mosca! Cabra bom… Essa pneumonia é rara. Nem mesmo quem convive em aviários constitui “grupo de risco”. Na época do tratamento, fizemos umas contas e chegamos a uma possibilidade de cerca de 100 pessoas na região do DF e do entorno que devem ter a doença, entre os que sabem e os que nem desconfiam…

Mas, o que tem a ver esse microfone pra falar disso? Seguinte: perdi cerca de 30% da minha capacidade respiratória. Fiz fisioterapia pulmonar além do tratamento e a doença estacionou. Respirar, pra mim, passou a ter outra função: louvar a Deus a todos os momentos, por ter tido a oportunidade de descobrir e tratar em tempo! Pois, de fevereiro (quando comecei os exames), até agosto (quando comecei com os remédios), a doença evoluiu… Então, se eu ainda respirava sem a ajuda de aparelhos, o que posso fazer com isso, além de louvar e agradecer infinitamente?… pensei… pensei… e veio uma oportunidade de cantar na missa das noites de domingo na PNSE. Achei o máximo MAS não tinha ar suficiente pra isso, ou melhor: não sabia usar o ar que me restava! Ai, resolvi fazer aula de canto! Juntei a fome com a vontade de comer! Por uma oportunidade maravilhosa, fui soltar a voz!

Bom, como eu faço parte do time dos chatos, fui aprender, ou pelo menos tentar aprender, a cantar direito! Afinal, eu ainda tinha ar pra soltar! Nada melhor do que aproveitar pra soltar da melhor maneira que eu imaginava: cantando!

Ai começa outra história: eu, cantando! Em breve posto aqui como que está sendo sensacional! O aprendizado, as críticas, as apresentações… aguardem!

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