Numa manhã de outubro, ao entrar no carro para trabalhar, vi que tinha uma abelha do lado de fora do pára-brisa. Pensei em mandar um jato d’água com sabão pra ela sair, mas resolvi deixar pra ver o que ia acontecer.
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Faço minhas orações dirigindo e mal comecei, me peguei rindo da situação: já tinha dirigido uns 150 metros, feito duas curvas e a abelha estava no mesmo lugar! Que resistência! Dei uma parada na oração e comecei a refletir sobre o que aquilo significava na minha manhã: um inseto lutando para se manter grudado no vidro de um carro em movimento… Bravura? Luta? Resistência? Nada?… Fiquei pensando o que poderia ter atraído aquela abelha ao vidro se não tinha vestígio de nada… Fosse o que fosse, lá estava a abelha sendo levada para outro lugar, além da sua vontade. Como ela não sabia o meu destino, teve que se abandonar à minha vontade! Quando eu acelerava, dava pra perceber a tensão para se manter grudada no vidro e ao diminuir a velocidade ou parar em um sinal de trânsito ou faixa de pedestre, dava pra perceber que ela relaxava. Quase dava pra ver que ela respirava aliviada, até começar tudo de novo. Depois de cerca de 5 km, em mais uma curva, a abelha finalmente se descolou do vidro. Além de ser distante do ponto inicial, é uma região de poucas árvores e plantas, muita grama seca, de acordo com essa época do ano.
A abelha se foi e continuei a divagar: assim é a nossa vida! Achamos que temos a direção e o controle do que fazemos, que vamos aonde queremos, descansamos se estamos cansados. Nos mantemos numa zona de conforto, próximo de tudo e de todos que, acreditamos que nos fazem bem. Se temos uma boa renda, compramos, compramos e compramos. Se não temos, desejamos, desejamos e desejamos ter e nos esforçamos pra chegar lá! Ás vezes até nos arriscamos consumindo o que nos faz mal, mas por algum motivo, consumimos. Tsc… Mal sabemos que Deus está no controle! Quando acontece algo que nos tira daquela rotina confortável e agradável, trememos de medo e se não estamos perto de quem Realmente importa começamos a perguntar “porque eu?”, “por que comigo?”, “por que agora?”. Ou as mesmas perguntas ao contrário, quando invejamos a grama verde do vizinho: “porque não foi comigo?”. Quando estamos longe de Deus e portanto não confiamos Nele, bate o desespero em qualquer sinal de que uma mudança está por vir. Assim como a abelha, nos agarramos desesperadamente ao que era antes: um solo liso, porém estável, torcendo para que tudo passe logo! Sabe de nada, inocente!
Mas Deus nos leva pra onde Ele quer! Na hora que achar melhor. Do jeito que tiver que ser! Ele permite que nos aproximemos Dele para que possamos nos jogar em Seus braços e deixar que Ele nos conduza pelo caminho que for! E assim como foi com a abelha, temos curvas e acelerações ao longo do caminho. Momentos de tensão e de relaxamento, até estarmos aptos a voar de novo! E sem trauma, mais fortes e confiantes, depois de relaxarmos em Deus. Nem sabemos o momento exato que o voo se dá, quando percebemos, estamos voando com Deus ao nosso lado. Não mais tremendo como a abelha que queria se manter grudada ao vidro e temendo pelo desconhecido a cada curva. Ao contrário, nos abandonamos na Sua vontade e num belo dia Ele nos manda voar, quem sabe, onde não há flores, plantas e nem mesmo a grama seca… nada mas importa, já que voamos com Deus no coração.
