O Fruto da Paixão de Cristo

Flor do Maracujá
Flor do Maracujá

Esta foto foi feita pelo meu marido, do pé de maracujá que está em uma área em frente à casa que moramos, área comum aos moradores da quadra.

A flor do maracujá é conhecida também como a “Flor da Paixão” e “Coração Ferido”.

Fiz uma breve busca pela internet e encontrei algumas coisas interessantes que falam sobre a identificação da flor do maracujá como “Flor da Paixão”. Alguns falam que os Jesuítas viram nela a possibilidade de uma catequese “para explicar aos infiéis indígenas a “truculenta história da Paixão de Cristo”.”. Outros falam que um padre italiano levou uma muda da planta para Roma e ao desabrochar da flor, viu que os elementos principais da Paixão de Cristo estavam representados na flor. Alguns artigos falam, também, que a flor surgiu do sangue saído de Jesus Cristo, na Cruz. De qualquer modo, todos falam a mesma coisa: todos os elementos da flor, remetem aos elementos que provocaram a dor em Jesus Cristo.

Além das cores litúrgicas deste tempo (vermelho e roxo), a delicada coroa, em um emaranhado filigrana, foi identificada como a própria coroa de espinhos; os três estigmas se assemelham com os cravos usados para prender Jesus Cristo à Cruz; as cinco anteras lembram as cinco chagas do corpo de Jesus Cristo e as gravinas foram interpretadas como os açoites que Ele recebeu. O fruto, por ser arredondado, simboliza o mundo.

Mas de tudo o que li, a parte de um poema chamou minha atenção. Reproduzo abaixo, parte do poema épico Caramuru, Canto VII, parte XXXVII até XL. Trata-se do poema do frei José Santa Rita Durão, sobre o descobrimento da Bahia, escrito em 1781 e conta a história de Diogo Álvares Correia – o Caramuru, sua esposa Catarina Paraguaçu, a vida deles com os índios Tupinambás entre outros relatos históricos.

Meditemos na Paixão, pelo seu sofrimento, pela sua dor, por sua entrega e confiança em Deus, e por nossa dor diária… Uma Santa Semana Santa para todos.

CARAMURU: POEMA ÉPICO – Santa Rita Durão

CANTO VII

XXXVII

Nem tu me esquecerás, flor admirada,

Em quem não sei, se a graça, se a natura

Fez da Paixão do Redentor Sagrada

Uma formosa, e natural pintura:

Pende com pomos mil sobre a latada,

Áureos na cor, redondos na figura,

O âmago fresco, doce, e rubicundo,

Que o sangue indica, que salvara o Mundo.

 

XXXVIII

Com densa cópia a folha se derrama,

Que muito à vulgar Era é parecida,

Entrefechando pela verde rama

Mil quadros da Paixão do Autor da vida:

Milagre natural, que a mente chama

Com impulsos da graça, que a convida,

A pintar sobre a flor aos nossos olhos

A Cruz de Cristo, as Chagas, e os abrolhos.

 

XXXIX

É na forma redonda, qual diadema

De pontas, como espinhos, rodeada,

A coluna no meio, e um claro emblema

Das Chagas santas, e da Cruz sagrada:

Vêem-se os três cravos, e na parte extrema

Com arte a cruel lança figurada,

A cor é branca, mas de um roxo exangue,

Salpicada recorda o pio sangue.

 

XL

Prodígio raro, estranha maravilha,

Com que tanto mistério se retrata!

Onde em meio das trevas a fé brilha,

Que tanto desconhece a Gente ingrata:

Assim do lado seu nascendo filha

A humana espécie, Deus piedoso trata,

E faz que quando a Graça em si despreza,

Lhe pregue co’esta flor a natureza. 

Fontes consultadas em 31.03.2015

Fundação Biblioteca Nacional. Departamento Nacional do Livro

http://international.loc.gov/intldl/brhtml/pdf/caramuru.pdf

Maracujá, a fruta da paixão – http://www.arara.fr/BBMARACUJA.html

https://www.algosobre.com.br/resumos-literarios/caramuru.html

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