Do cheiro das coisas

Recebi este poema de um amigo/irmão que amo profundamente!
Fiquei sem palavras para retribuir… deve ser pelo momento que passo, mas resolvi retribuir com uma imagem.
Inaldo, essa é pra você:

Almas Perfumadas – Carlos Drummond de Andrade

Tem gente que tem cheiro
de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.

Ao lado delas,
a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.

Ao lado delas,
a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar
quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe
que os anjos existem e que alguns são invisíveis.

Ao lado delas, a gente se sente
chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo
com o gozo de quem não liga pra isso.

Ao lado delas, pode ser abril,
mas parece manhã de Natal
do tempo em que a gente acordava
e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas
que Deus acendeu no céu
e daquelas que conseguimos acender na Terra.

Ao lado delas,
a gente não acha que o amor é possível,
a gente tem certeza.

Ao lado delas,
a gente se sente visitando um lugar feito de alegria
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.

Ao lado delas,
saboreamos a delícia do toque suave
que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.

Ao lado delas,
a gente percebe que a sensualidade
é um perfume que vem de dentro
e que a atração que realmente nos move
não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.

Ao lado delas,
a gente lembra que no instante em que rimos

Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Tem gente como você que nem percebe como tem a alma perfumada! e que esse perfume é dom de Deus.

Esta foto faz parte de um exercício que fiz, em uma feira na cidade satélite de Taguatinga – DF. Foi muito legal olhar pra feira sem interesse em comprar nada, a gente se divertiu muito com as figuras e os acontecimentos. Os cheiros e as cores era incríveis! Melhor ainda foi depois, quando juntamos os resultados e observamos olhares diferentes do mesmo cenário. Nessa época, não tinha a máquina digital, essa foto é em filme 135.

Quando recebi o poema acima, pensei em coisas gostosas, sentar na calçada, olhar pro horizonte… comer fruta fresca sem frescura… falar de nada, inventar assunto… tudo o que é possível quando não temos o relógio nos apressando… e mesmo que isso aconteça, temos que achar brechas entre os segundos, para poder respira e sentir o perfume do amor de Deus. Respirar fundo e lentamente, como se fosse possível guardar todo o ar num só pulmão…

E agora, querendo finalizar, sem conseguir, me lembro do Inaldo. É. Foi ele que mandou o poema, que aliás, é a cara dele!!! A gente dá muita risada junto, mas quando nos abraçamos, [ele é sempre cheiroso!]  fico com o cheiro dele até… acabar!

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