Minha mãe tinha uma peça de louça. Era uma peça linda! Grande! Objeto de decoração com destaque na nossa casa… Cresci com ele por perto e aprendi que era uma peça usada pelos antigos, antes de terem encanamento nas residências, para levar o conforto da água nas torneiras. Pelo que me contaram minha avó, pais e tios, apesar de ser uma peça comum nas casas, o lavabo poderia ser também símbolo de status. Sim, dependendo do material que era feito, do tamanho, detalhes, tudo poderia ter um significado para aquela família. Tinham casos de lavabos separados para o chefe da casa e para o resto da família… Tão engraçado isso, na medida que escrevo, vou me lembrando dos comentários…é interessante como sempre temos algo para reforçar realçar o status e demonstrar nos códigos de comportamento, quem pode mais!
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Hoje em dia tenho prestado atenção aos lavabos que vejo. O costume de usar este tipo de lavabo seguiu na Igreja Católica e é usado pelo sacerdote ao fim do ofertório. Onde tenho visto mais lavabos é nas missas. Este momento é especial. Quando o sacerdote tem alguém para ajudar, é um momento de partilha silenciosa. Ouvi um depoimento de um padre, do tempo que ele era coroinha e levou o lavabo e o manustérgio para o pároco. Foi um momento importante na vida dele… me fez pensar nisso tudo e voltar no tempo, nas conversas do passado: será que na hora de asseio, no passado, rolava também alguma partilha?… Será que o tempo que as pessoas precisavam para a higiene, propiciava ao diálogo que alguns afirmam ter se perdido nos dias de hoje com o uso de tecnologias e confortos individualizados?… Sei não, acho que a vontade de uns tem em falar e a vontade de outros em não ouvir sempre existiu e sempre existirá.
Em tempo, o lavabo que tinha lá em casa foi comprado em uma loja de decoração e não era uma peça antiga. Naquela época não era antigo, mas passados mais de 30 anos…
